SKINAMARINK é o terror que nos leva por lugares aonde dificilmente iríamos por conta própria
Escrito por Ana Paula Santos & Raphael Mussato
No final do segundo semestre de 2022 só se falava em uma coisa no Brasil e não tinha nada a ver com futebol ou política. O assunto da vez era o filme SKINAMARINK, terror experimental e de baixo orçamento (baixo mesmo, custou cerca de 15 mil dólares) que estava circulando pelos meios alternativos e provocando sentimentos, reações e debates dos mais diversos. Tudo por causa da narrativa utilizada para contar essa estória. Agora, o filme chega aos cinemas brasileiros e temos a chance de entender (em tela grande e alta resolução) os motivos de tanto alvoroço.
O filme explora muito bem alguns medos que estão presentes
em todas as crianças, principalmente na primeira infância. O medo de perder os
pais, medo do escuro, medo de ficar sozinho a noite. O diretor traduz os
sentimentos de desamparo e desalento que permeiam essas crianças em uma
linguagem audiovisual riquíssima de símbolos, mas ao mesmo tempo, absolutamente
simples. Acompanhar essa jornada solitária e inquietante nos lembra da nossa
própria fragilidade, do quanto ainda somos crianças desamparadas em um mundo
estranho e potencialmente nocivo. Também é um filme aberto a interpretações que
fogem desse círculo principal. Seria esta casa o limbo onde os personagens, já
mortos em alguma tragédia familiar, habitam enquanto aguardam a salvação? Seria
tudo isso apenas o sonho confuso de uma criança que pegou no sono em frente à
TV assistindo desenhos animados? A grande (e maior) qualidade de SKINAMARINK é
não fornecer nenhuma mísera resposta as tantas dúvidas que podem (e vão) surgir
durante a projeção. Ao fim de cerca de 100 minutos entendemos que tudo está
ali, na tela, mas ao mesmo tempo não tem nada ali, e o que vemos na sombra escura da sala do cinema (ou do nosso quarto) é a nossa imaginação tão poderosa quanto o maior dos pesadelos.
Entendemos pessoalmente que o gênero terror é o mais conectado com tudo aquilo que nos faz humanos. Ele abraça os nossos sentimentos mais desconhecidos, os medos mais profundos e as lembranças mais sombrias, muitas vezes esquecidas no fundo do inconsciente e nos devolve na forma de monstros e entidades malignas que precisamos encarar de frente para vencer e superar. Em SKINAMARINK aprendemos isso de forma muito clara, mas diferente dos filmes que estamos acostumados a ver, aqui não enxergamos nenhum monstro a ser enfrentado... porque ele está muito bem guardado dentro de cada um de nós.
Para finalizar, a expressão SKINAMARINK em si não significa nada, é apenas uma sonoridade musicada, de uma canção canadense datada de 1910. Tal qual o nosso ILARIÊ, as crianças de lá crescem ouvindo a música e depois de adultos não esquecem mais.
Agradecemos imensamente a assessoria da A2 Filmes pelo convite para a cabine de imprensa e pela confiança no nosso trabalho.


Comentários
Postar um comentário