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Mostrando postagens de janeiro, 2023

ELES VIVEM! e a lente do Materialismo Histórico desvelando a luta de classes

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Escrito por Raphael Mussato   “O motor da História é a luta de classes”. Chegamos à segunda década do século XXI e aquilo que é ilustrado com perícia na obra “O Capital”, do filósofo germânico Karl Marx, emerge à nossa percepção de maneira cada vez mais notável. Não há necessidade de sairmos da segurança dos nossos muros alugados e nos aventurarmos cidade afora para vislumbrarmos as ruas cada vez mais abarrotadas de moradores sem teto, pessoas miseráveis e, cada dia mais, desesperadas. É fácil identificarmos a crescente desigualdade social num ambiente mais próximo a nós e mais controlado: os nossos boletos, cada dia mais dispendiosos, as contas que não fecham, nossos diplomas universitários emoldurados e empoeirados enquanto esquadrinhamos as ruas, horas a fio, no volante de um carro alugado a serviço de algum aplicativo de transporte. Dado a esse nosso contexto atual, resultado direto das ações de desregulamentação econômica que inundaram a década de 1980, protagonizadas pelo ent...

A grandeza de BABILÔNIA não esconde um roteiro falho, mas a qualidade técnica segue sendo a principal qualidade do diretor Damien Chazelle

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Escrito por Ana Paula Santos Damien Chazelle gosta de um exagero técnico e tem apreço pela grandeza. Em seus filmes mais conhecidos podemos observar isso muito bem, embora tanto em Whiplash quanto em La La Land a parte técnica não seja o suficiente para sustentar um roteiro que, ou é problemático ou é água com açúcar. Quando foi anunciado o lançamento de BABILÔNIA, seu mais recente trabalho, já estávamos nos preparando para um filme tecnicamente impecável. Mas o roteiro e o desenvolvimento eram uma incógnita. BABILÔNIA estreia nos cinemas em janeiro já super cotado para algum prêmio no Oscar 2023 e tem toda a grandiosidade técnica que só um filme do Chazelle poderia ter, e isso não é demérito algum. Ele é um diretor que sabe como combinar os diversos elementos cinematográficos de forma a criar algo único e autoral. Além disso, seu conhecimento musical é fora de série e se destaca em todos os filmes que dirigiu. Em sua nova investida, ele nos leva até a Hollywood dos anos 1920 numa viag...

Steven Spielberg conta a sua história em OS FABELMANS, um tributo emocionante ao cinema e a família

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Com 76 anos e mais de 50 de carreira, Steven Spielberg é um dos maiores cineastas vivos de todos os tempos. Com filmes e personagens marcantes, sua obra está marcada na história de milhares de pessoas que conheceram e/ou se apaixonaram pelo cinema assistindo as suas obras. Em seu novo filme OS FABELMANS, ele mostra que aqueles que fazem história também tem uma história. No caso dele, uma história lindíssima. Seu novo filme é um trabalho pessoal e parcialmente autobiográfico, no qual ele resgata memórias de infância e adolescência numa grande homenagem aos sonhos de criança que se fortalecem e viram vocação. Por meio de Sammy Fabelman (interpretado por Gabriel LaBelle) conhecemos o cotidiano de uma família americana judia entre os anos 50 e 60 que vive o seu dia a dia como a maioria das famílias da época. Nada de especial a não ser o interesse de Sammy por cinema, despertado após ir ao cinema pela primeira vez com os pais para assistir “O Maior Espetáculo da Terra”, filme de 1952 dirigi...

WHIPLASH e a romantização do assédio moral como forma de motivação

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Escrito por Ana Paula Santos No filme Whiplash (de 2014) nos é apresentado o jovem Andrew Neiman (Miles Teller), estudante do melhor conservatório de música dos EUA, baterista suplente e que tem o desejo de ser um grande músico. As coisas começam a acontecer quando ele é notado pelo mestre Terence Fletcher (brilhantemente interpretado por J.K. Simmons), regente da banda de jazz do conservatório. Terence pode ser um grande músico e o melhor mestre que um jovem poderia ter, mas ele também é extremamente rigoroso e enérgico com os integrantes dessa banda, de uma maneira quase militar e absolutamente abusiva. Andrew é novo (tem apenas 19 anos), de forma que sua obstinação em aprender mais e mais e mostrar ao mestre que ele pode ser o baterista titular leva ele ao limite de suas forças – físicas e mentais. Tecnicamente, Whiplash é impecável. O design de produção enaltece todos os cenários e os ambientes tem brilho próprio, com uma fotografia que alterna entre amarelos, verdes e alguns verme...