Postagens

Mostrando postagens de abril, 2023

BEAU TEM MEDO mostra de maneira alegórica (mas ao mesmo tempo muito crua) como as mães podem ser cruéis e destrutivas

Imagem
Escrito por Ana Paula Santos Relações familiares são, em sua essência, complexas e imperfeitas. Afinal, estamos falando de seres humanos convivendo e partilhando sonhos, medos e frustrações. Desde os seus primeiros curtas, quando ainda era estudante de cinema, Ari Aster já mostrava o quanto as relações e interações familiares podem ser negativas, tóxicas e assustadoras. Em seus trabalhos, o jovem diretor gosta de mostrar os perigos, dores e as consequências trágicas de relações familiares e afetivas disfuncionais e abusivas. Não seria diferente com o seu novo longa, onde acompanhamos um homem adulto e paranoico que precisa “apenas” visitar a mãe na casa onde ela mora. Escrito, dirigido e produzido pelo próprio Ari Aster e lançado pela querida A24, BEAU TEM MEDO ( Beau Is Afraid ) é de longe a obra mais complexa e grandiosa do diretor, que não economizou em nada, seja na parte técnica ou no desenvolvimento do roteiro. Bem longe do gênero terror, mas ainda inserido nesse universo, o film...

CRIATURAS DO SENHOR e o peso que uma mãe carrega quando tenta proteger o seu filho a qualquer custo

Imagem
Escrito por Ana Paula Santos Paul Mescal tem tudo para ser o nome do ano (de novo). Se em 2022 ele poderia ser facilmente eleito melhor pai, pela sua belíssima interpretação em AFTERSUN, agora em 2023 ele é forte concorrente ao prêmio de pior filho, pois seu personagem em CRIATURAS DO SENHOR pode ser várias coisas, menos um exemplo a ser seguido. Mas vamos começar do princípio. O novo filme produzido pela queridinha dos cinéfilos A24 é um drama sobre a relação entre mãe e filho onde o não-dito, as mágoas do passado e as mentiras do presente pairam sobre ambos, contaminando o que está em volta. No entanto, existe uma sutileza nesse roteiro que nos deixa certa altura em dúvida sobre o comportamento desses personagens. A humanidade deles é desconcertante, pois mostra camadas de fragilidade que também poderiam ser nossas. Quase como um espelho, enxergamos nessa mãe que protege, no pai que reprime e no filho que oculta, um pouco de nós mesmos. É desconcertante e também assustador. Dirigido ...