O filme SOL aborda o tema da ausência paterna com sensibilidade e surpreende com atuação dos atores principais
Por: Ana Paula Santos
A ausência paterna é uma das mais tristes realidades brasileiras. Só em 2021, 53,9 mil crianças não tiveram o pai reconhecido na certidão de nascimento. Mas tão grave quanto a essa falta do nome nos documentos, é ter o nome, mas não a presença do pai. O filme SOL trata justamente dos efeitos da ausência paterna em um homem adulto que também é pai e está repetindo com a filha, embora inconscientemente, o ciclo de descaso e abandono que viveu em sua infância.
Nesse trabalho nós acompanhamos Theo, um homem recém divorciado que está recebendo em casa a sua filha de 10 anos, a Duda. Faz cerca de um ano que eles não se vêm, e claramente existe uma distância afetiva entre eles. Ele até se esforça para interagir e construir diálogos bacanas com a menina, mas tudo o que consegue são palavras evasivas. Duda também não está nada confortável perto dessa figura tão pouco conhecida. E isso fica mais claro pelas roupas que ela usa, as blusas de manga comprida e a touca de lã são a sua proteção nessa primeira parte do filme.
Theo também
é filho de um pai ausente, Seu Theodoro, que inclusive ele acreditava estar
morto. Mas uma série de ligações vindas de uma cidade no interior da Bahia
trazem a verdade à tona. Seu Theodoro está vivo, mas bem velho e muito doente,
internado em um pequeno hospital e precisando de cuidados. Theo vai ao encontro
do pai levando também a filha, e na estrada ele vai ter que resolver contas com
o seu passado e aprender a ser o pai da Duda e o filho do Seu Theodoro.
O trio de atores principais é formado por Rômulo Braga, que interpreta o Theo, Everaldo Braga, o Seu Theodoro e a estreante Malu Landim, a Duda. O entrosamento entre esses atores é uma das coisas mais lindas e comoventes que o cinema brasileiro produziu nesse ano de 2022. A diretora Lô Politi escreveu o roteiro e dirigiu um filme que preza pela total interação entre esses personagens. Ela não quer julgar ninguém por nada e não é sua meta dissecar os motivos (sociais, morais, emocionais) que levam um homem a deixar de lado os seus filhos. Sua intenção é contar num formato de road movie, uma jornada de reconexão, perdão e cura, emoldurada pelo sol e as paisagens das estradas brasileiras que ligam o interior profundo à cidade grande.
De forma
poética e com muita sensibilidade, ela costura laços entre essas três vidas que
tem muito em comum, mas que ainda não se conheciam com intensidade. A diretora
olha com muito cuidado e carinho para os personagens masculinos, que abandonam,
mas também sofrem com o abandono afetivo. Esse olhar feminino para o universo
masculino é crucial para nos conectar com os sentimentos engessados desse
homem, cria dos tempos contemporâneos que sufocam e enterram manifestações de
afeto e fragilidade.
SOL chega
aos cinemas no próximo dia 8 de dezembro, com distribuição da Paris Filmes.
Agradecemos
muito a distribuidora e a Sinny Assessoria pelo convite para a cabine de
imprensa e pela confiança no nosso trabalho.



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