HALLOWEEN ENDS encerra trilogia de modo preguiçoso e anticlimático, se perdendo dentro da sua própria confusão
Por Raphael Mussato
De todas as grandes figuras do terror slasher, Michael Myers é de longe, o mais intrigante. Sua postura silenciosa, sua obsessão pela Laurie Strode, a frieza e aparente aleatoriedade dos seus crimes e a possível relação com um mal maior e inenarrável nos motivaram a acompanhar a sua trajetória desde 1978, quando o primeiro HALLOWEEN (subtítulo brasileiro A NOITE DO TERROR), dirigido por John Carpenter, chegou aos cinemas.
Agora, 44 anos e doze filmes depois, temos a chance de assistir a parte final da nova trilogia HALLOWEEN dirigida por David Gordon Green e iniciada em 2018. Se no primeiro filme fomos positivamente surpreendidos com um enredo criativo, assustador e diferenciado, que explora muito bem o mistério em torno das motivações de Michael Myers e traz de volta Jamie Lee Curtis no seu icônico personagem (agora quase uma senhora) que a tempos se prepara - material e psicologicamente - para o confronto que ela sabe que está por vir. Na continuação de 2021 HALLOWEEN KILLS, o roteiro tenta aprofundar a dinâmica da relação entre a protagonista e o vilão, mas não dá conta de realizar isso de maneira satisfatória. No entanto, apesar dos pesares, conseguiram deixar alta a expectativa do público para a conclusão da saga.
O filme HALLOWEEN ENDS, que chegou aos cinemas no último dia 13 de outubro, finaliza a saga de Michael Myers e Laurie Strode de um jeito confuso, pouco inspirado e que - tristeza assumir isso - beira o amadorismo em diversos momentos. Seu roteiro escrito a 4 mãos (além do próprio Gordon Green, assinam o roteiro Danny McBride, Paul Brad Logan e Chris Bernier) não consegue desenvolver a narrativa com clareza, dando voltas e voltas que não chegam a lugar algum. As mortes são pouco criativas e nada inspiradas, um crime capital no gênero slasher. Até mesmo o "gore", que não decepcionou nos dois filmes anteriores, aqui é muito atenuado com desvios de câmera e desfoques. Talvez apenas uma única cena de assassinato diverte e entretém.
A personagem interpretada por Jamie Lee Curtis que no filme de 2018 é apresentada como uma mulher madura, forte, inteligente e forjada duramente pelos percalços terríveis de seu passado, e que brilhou como uma oponente à altura do sombrio assassino, aqui aparece apagada e perdida num roteiro caótico. A maior parte das cenas que participa são totalmente dispensáveis. É como se a atriz estivesse apenas de corpo presente, para agradar ao público, mas com a sua função narrativa reduzida a alguns diálogos expositivos e quase juvenis (como se o público não conhecesse aquele universo desde 1978). O embate final entre os personagens é anticlimático, quiçá vergonhoso.
Agradecemos muito a Universal Pictures e a CDN assessoria pelo convite para a cabine de imprensa e pela confiança no nosso trabalho.



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