A natureza da violência é tratada com humor no filme A TEORIA DOS VIDROS QUEBRADOS

Autora: Ana Paula Santos


Antes de iniciar a crítica propriamente dita do filme A TEORIA DOS VIDROS QUEBRADOS, é importante situar a todos sobre um experimento social realizado nos EUA na década de 1980 e que inspirou o filme e o seu título. 


Denominado como a teoria das janelas quebradas (broken windows theory, no original), esse experimento de psicologia social que mostrou a desordem como fator primordial para o aumento dos índices de criminalidade. Segundo o estudo, se os pequenos delitos e contravenções cometidos por integrantes de uma comunidade não são devidamente punidos, pode transmitir a todos a ideia de descaso e desinteresse do Estado, como se naquele local não existissem normas ou regras. Com isso, os delitos tendem a aumentar, conduzindo a condutas criminais cada vez mais graves que se multiplicarão até atingir a violência irracional e irrestrita. Com essa teoria, ficou comprovado que uma escalada da destruição e violência nada tem a ver com o nível social ou econômico dos envolvidos, bastando apenas uma sensação de impunidade no ambiente para que pessoas comuns se sintam livres para praticar atos que em outras circunstâncias jamais fariam. 


Esclarecido isso, vamos ao filme! 


No trabalho dirigido por Diego Hernández conhecemos Claudio Tapia (interpretado por Martín Slipak), funcionário de uma empresa de seguros que é designado para perito numa pacata cidade do interior, perto da fronteira. Logo que chega, tem início na cidade uma onda de incêndios em carros que deixa todos desesperados. Alguns carros são da sua empresa, e Claudio precisará analisar os carros e fazer os relatórios para liberar o pagamento do seguro aos clientes, que se mostram pouco receptivos e nem um pouco dispostos a esperar demais por uma solução.  



Num tom despretensioso de comédia policial, a trama mostra duas dinâmicas bem distintas dos personagens: da comunidade entre eles mesmos e da comunidade diante da figura “forasteira” do perito da seguradora. Por não pertencer a esse ambiente, Claudio fica à mercê das pressões e ameaças dos moradores, mas tem a vantagem de conseguir enxergar detalhes que farão a diferença na investigação que está fazendo. Por meio do humor, o filme descortina um lado destrutivo da natureza humana, que se aproveita de uma grave ocorrência para obter vantagens pessoais e assegurar seus privilégios. 


O absurdo da situação vivida pelo personagem também é reforçado por meio das músicas que tocam em diversos momentos do filme. As letras divertidas e o ritmo brega latino acentuam a estranheza e o deslocamento do personagem com relação aquele ambiente. Impossível não rir nesses momentos. 


Embora não se aproveite muito bem da teoria das janelas quebradas, o roteiro (escrito por Diego Fernández e Rodolfo Santullo) é divertido e instigante na medida. Uma coprodução entre Uruguai, Brasil e Argentina que mostra uma face mais acessível (mas ainda assim questionadora) do cinema latino-americano atual. É uma excelente pedida para quem quer dar boas risadas com uma comédia de conteúdo.  


O filme, que já foi premiado no festival de Gramado (categoria Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Filme pelo júri popular), A TEORIA DOS VIDROS QUEBRADOS entra em cartaz nos cinemas brasileiros no dia 18 de agosto, com distribuição da OKNA Produções. 


Agradecemos muito a distribuidora e a Sinny Assessoria pelo convite para a cabine online.




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