ÚLTIMA CIDADE narra, com ares de distopia, a luta do povo brasileiro contra o apagamento histórico
Autora: Ana Paula Santos
Tal qual um Dom Quixote pós apocalíptico, João, o nosso personagem (interpretado por Júlio Adrião) quer enfrentar um monstro que vai se materializar na tela não como um inofensivo moinho de vento, mas como frias e violentas construções urbanas de aço e vidro blindado. É o sistema que ele quer matar para ter a sua vingança. No caminho de João e Tahiel (Hector Briones) atravessam outros personagens que também foram excluídos pelo sistema e precisam se adaptar a outras (e duras) regras de sobrevivência.
Em um filme relativamente curto (tem apenas 70 minutos de duração), o roteiro de ÚLTIMA CIDADE oferece muito mais perguntas do que respostas. Sua trilha reforça os aspectos western da ótima fotografia (que recebeu menção honrosa de melhor fotografia no Festival de Cinema de Vitória em 2021), mas não nos deslocam da realidade dos fatos: aquilo é o Brasil, e somos nós ali na tela, caminhando sobre entulhos de uma obra inacabada, enfrentando todos os dias um sistema criado pelas elites para apagar as nossas histórias culturais antigas e isolar / destruir todos aqueles que não servem a ele. A crítica a esse projeto de governo neoliberal e excludente é sutil, mas está ali presente e cumpre bem o seu papel.
O sistema que tirou de João tudo o que ele tinha precisa ser derrotado. Mas quem disse que um homem comum pode derrotar o sistema? O filme também não responde a isso, mas sua cena final deixa claro que sempre existirá no povo brasileiro um resto de forças para manchar o horizonte cristalino daqueles que estão no poder.
Com distribuição da Marrevolto Filmes, “Última Cidade” chega aos cinemas no próximo dia 21 de julho.
Agradecemos a Sinny Assessoria pelo convite para essa cabine online.



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