40 anos após o lançamento original, "Eu, Christiane F." volta aos cinemas e ainda impressiona
Autora: Ana Paula Santos
O tema
das drogas já foi muito abordado no cinema, com produções que variam entre
obras relevantes e algumas totalmente desnecessárias. O filme que vou comentar
a seguir está na categoria de obras relevantes.
EU, CHRISTIANE F. 13 ANOS, DROGADA E PROSTITUÍDA registra o drama pessoal de uma jovem garota que vivia na Berlim da segunda metade dos anos 70, e se tornou viciada em heroína. Dos 13 aos 15 anos, Christiane perambulou pelas ruas, boates e estações de metrô da cidade com o namorado e um grupo de amigos tentando conseguir dinheiro para sustentar o vício. A deterioração física e mental provocada pelo vício quase a levaram a morte. Mas ela sobreviveu e contou a sua história, que se tornou um livro. São alguns dos relatos do livro que assistimos na tela.
O filme, dirigido por Uli Edel e lançado em 1981 na Europa, impressiona não por conter algum requinte cinematográfico (pelo contrário, essa parte é bem óbvia e careta), mas pelo que é contado na tela. A história de Christiane e do seu vício em heroína são retratados de um modo tão cru que é impossível ficar indiferente ao que ela e seus amigos (tão jovens quanto ela) estão vivendo. Ao mesmo tempo, observamos a cidade de Berlim tão cinzenta, monótona e incapaz de entender e acolher os adolescentes que nela circulavam. A história do vício de Christiane é a história de um Estado que não foi capaz de proteger os cidadãos nessa que eu considero a fase mais vulnerável da vida. Embora isso não seja abordado diretamente no filme (que foca especificamente nas situações pela qual ela passou nesse período), nas entrelinhas está tudo ali, escancarado.


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